mar 26

Há cinco anos recebi no Florescer da Fábrica um menino pequeno, cerca de sete ou oito anos chamado André. Ele vinha com seus pais Pedro e Marilena.  A mãe veio nos procurar porque a situação dentro de casa estava terrível! Ela chorava muito, e no final da segunda sessão me deu um envelope com uma carta que contava o drama familiar: o pai batia muito nas crianças, em especial neste menino. Bater significava: bater até o menino cair e sair chutando o coitado pelo caminho. Ela contava que era apaixonada pelo marido e por isso mesmo não sabia o que fazer para contornar esta situação.

Claro que o André  batia muito nas crianças, dentro e  fora de casa, e por causa da sua agressividade tinha sido expulso  de todas as escola em que estivera. Em outras palvras ele repetia o que via. Isso mesmo, se em casa o pai podia bater nos filhos, ele entendia que bater era um comportamento  aceitável. Neste caso poderia usar do mesmo expediente na escola.

Depois de ouvir, começamos a explicar os limites da lei: bater não pode. Não tem desculpa, não pode e pronto. Não sou eu quem diz, é a lei. Na semana seguinte André veio cabisbaixo: o pai não batera, mas desta vez dera alguns choques como castigo. Na mesma hora mandamos chamar o pai, e avisamos: dar choque também não pode!

Talvez vocês estranhem a nossa frieza em chamar o pai e  não bronquear, ou castigar, mas essa é a essência do tratamento: em geral quem bate é uma pessoa impulsiva, portanto nós temos que saber controlar nossos impulsos. Quando nós chamamos e conversamos, re-colocamos limites, discutimos outras maneira de conseguir que o filho obedeça sem violência, estamos mostrando na prática uma nova forma de se relacionar. O exemplo, já percebemos, vale mais do que mil palavras.

Muitas vezes, no afã de  se fazer justiça, filhos e pais são separados sem sequer terem uma chance de refazerem  este relacionamento. Mas será que isso é bom para a criança? Será que os pais não conseguem mudar?

André foi para psicoterapia (em dupla), e os pais ficaram em tratamento no grupo de pais. Através de histórias que outros pais traziam e de interpretações fomos construindo outras  maneiras de impor limites, e mostrando as consequências que a agressão traz para as famílias. Paralelamente fomos tentando compreender porque estes pais agiam desta forma com seus filhos. Quase sempre os pais agressores vieram de família que agrediam,  física ou psicologicamente. Por exemplo, o pai que só chama o filho de idiota, ou que o desmerece   constantemente é um agressor;  os pais que ameaçam bater e quebrar os ossos dos filhos,  mesmo que não o façam,  são agressores.

Ouvimos suas histórias de vida, nos emocionamos com o que ambos disseram, até que um dia Pedro, o pai de André percebeu que ele agia com o filho da mesma forma que sua mãe agira com ele, comportamento que causara marcas profundas em sua vida. Depois de um choro silencioso e doído, Pedro percebeu que aquela não era a melhor maneira de cuidar do seu filho, e começou a cuidar dele verdadeiramente.

Por esta época o relacionamento entre os pais começou a se deteriorar: a mãe tinha muito ciúmes do pai  que, diga-se de passagem, era o André em versão ampliada. Ela tinha certeza de que ele a traia, que ele não ligava para ela, que ele… Também implicava com o menino porque a escola continuava a chamá-la: ele não acompanhava a classe. Parecia que ela dividira os dois pai e filho, e tudo de bom pertencia ao Pedro e tudo de ruim era responsabilidade do André.

Para André, ter uma mãe que só via seus defeitos não ajudava. Perceber que a mãe tratava melhor os irmãos, com mais respeito e mais carinho, também não era fácil. Por isso tentava chamar atenção da maneira como conseguia, através das ações censuráveis.

Nós do Florescer acreditávamos que anos de maus tratos tinham contribuído para que André perdesse o fio de meada, criando uma defasagem com o resto da classe. Queríamos que ele tivesse  atenção individualizada, mas não sabíamos a quem recorrer. Conforme não se adequava na escola, fazia gracinhas para chamar a atenção, assim como9 fazia em casa, o que piorava em muito a disposição dos professores em relação a ele. Chegou a se recusar a copiar a lição da lousa. A nosso ver, não queria reconhecer que tinha uma grande defasagem em relação à sua classe, e copiar a lição e fazer os exercícios deixaria a mostra sua defasagem se aprendizado.

O que fazer nestes casos?

…continua na próxima semana.

mar 13

Sem dúvidas nossa sociedade mudou muito no último século: a pílula anticoncepcional, o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, e a aceitação da separação entre casais mudou o panorama das novas famílias.

Mas isso não invalida as necessidades que as crianças tem para se desenvolverem; ainda precisam de pai e mãe, de família reunida, de regras, de adultos que os compreenda e apóie, e alguém a quem eles admirem e queiram imitar.

Porém, os pais estão convivendo cada vez menos com seus filhos, especialmente os pais do sexo masculino, por trabalhar muitas horas seguidas, por separação, e isso cria um vazio enorme na vida dos meninos.

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mar 9

Era uma mulher interessante, alta, encorpada, cheia de opiniões para dar, apesar de muito agressiva com a filha, digo com os filhos e agregados. Como tudo começou não faço idéia, mas sei que ela batia tanto na filha adolescente, que a menina vinha cheia de cicatrizes de cortes, de pancadas. E a Marília era uma amor, além de muito miúda. Os psicólogos e demais autoridades estavam preocupados porque Patrícia sabia que tinha agredido a filha, mas não parecia estar arrependida, pelo contrário avisava aos interessados que ia continuar batendo, que Marília tinha o poder de tirá-la do sério. Na verdade a menina estava grávida e Patrícia não conseguia agüentar este golpe, afinal Marília só tinha 13 anos!

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mar 8

Por que certas mulheres agüentam maridos violentos?

Por que elas não tomam qualquer atitude para parar estas agressões?

Perguntas como estas foram estudadas por muitos profissionais de diversas especialidades, mas as respostas nem sempre fazem sentido. Quer dizer, nem sempre mostram um caminho para que possamos ajudá-las.

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