nov 29

Um pouco de história não faz mal a ninguém

Comecei minha carreira trabalhando em um departamento da faculdade de odontologia da USP, tratando de pessoas com disfunção da ATM (articulação temporo – mandibular, a mesma que você usa parta falar e comer). Muitos destes pacientes eram tratados com sucesso até que se anunciasse a data da alta, a partir daí as dores regrediam sem motivo aparente. Por isso acreditavam que havia algum fator emocional envolvido.

No inicio tentei entender porque estas pessoas ficavam “ligadas” ao tratamento e à doença em si, e aos poucos fui me interessando por linhas que olhassem essencialmente para a questão do corpo (comecei estudando Reich). Esperava conseguir extinguir o trauma com exercícios e técnicas, mas isso não acontecia. Parecia que as pacientes e eu queríamos conversar, trocar informações, fazer perguntas e procurar respostas.

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nov 14

Um dia de trabalho

Um paciente encaminha um amigo que fez um teste de coração e apresenta um problema que ele não sabe o que significa: durante o teste ergométrico teve uma isquemia.

Percebo a gravidade e a urgência, o caso é delicado, mas pode ser resolvido, desde que o sujeito perceba que precisa se tratar.

Dias depois ele aparece e fica difícil convencê–lo que algo esta errado. Quer marcar outro exame, não aceita o cateterismo que o médico pediu, acha que o problema é verminose.  Opto por uma consulta com ele e a esposa: quem sabe ela consegue ouvir. Mas como posso falar para que eles escutem e sigam o tratamento adequado?

Entrevista às 7 da manhã – não há desculpa de atrasar no trabalho: falo para os dois sobre a gravidade do caso, e aproveito para descobrir o que o impede de se tratar. Digo que não se pode brincar com este tipo de coisa. Explico que precisará de tratamento psicológico para poder mudar a maneira de reagir e assim evitar problemas futuros de saúde. Parece que ouviram.

Segunda- feira começo da tarde, tinha acabado de chegar em casa aproximadamente quinze quilômetros do meu consultório, feliz porque poderia passar a tarde com meus filhos, depois de semanas trabalhando duro, e sabia que no dia seguinte não os veria. Toca o telefone: Dora, seu paciente esta à sua procura, parece que é urgente o pai dele esta na UTI e ele disse que tentaria encontrá- la no celular.

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