Como é dura a vida das mães! Apesar de todo trabalho e esforço que fazemos para ajudar os filhos com a infra-estrutura do presente, e nos seus planos de futuro; das tentativas de ajudar com nossa experiência, a encurtar caminhos e mostrar onde há becos sem saída, ainda temos que aguentar a onipotência dos adolescentes, que acham que sabem tudo, e que nós adultos só não mudamos o mundo porque “ não tínhamos realmente vontade”.
E quantas vezes não ficamos ouvindo uma história que nunca mais termina, tantas vezes repetida; azar o seu se tentou dar uma opinião! Você não entende mesmo! Se criticou, foi muito dura; se não falou nada, não estava levando a conversa a sério.
Afinal, o que eles querem e porque brigam tanto com a gente?
Os filhos estão aprendendo seus limites, tem muito medo de se depararem com eles e não saberem o que fazer. Perceber que não somos capazes de fazer algo que queremos muito, é mesmo frustrante, mas não é o fim da linha. Na verdade é o começo, porque ao falhar nos deparamos com o que falta, e esta lacuna nos impulsionará para conseguir o que desejamos. Mas aos olhos dos mais jovens um deslize pode ser uma sentença de incapacidade eterna.
Por isso é mais fácil brigar com os pais, e por a culpa destes limites neles. Assim o adolescente continua com a sua onipotência, e a responsabilidade por não ter dado certo, adivinha, é dos pais.
É aí que muitos pais se cansam e acham que os filhos podem fazer o que quiserem, afinal são grandes.
Mas o que fazer se o filho acha que não deve estudar, ou se acha que não vai conseguir aprender? Largar mão? Insistir?
Na verdade a questão é outra, a desistência tem a ver com a visão que cada pessoa tem de suas capacidades, e de como vai ultrapassar suas limitações. Aliás, Yves de La Taille[1] diz que limites existem para serem ultrapassados. Tem pessoas que acham que não são capazes de aprender determinada matéria, como matemática por exemplo, e mesmo antes da explicação já estão cheias de dúvidas. Estas pessoas não têm dificuldade de aprender, tem problema de auto-estima!
Para crescer, nós temos que acreditar em nosso potencial, conhecer nossos pontos fracos e nossos pontos fortes, e descobrir o que temos que fazer para alcançar o que almejamos. Temos que perder o medo de errar e de ver onde erramos ( senão ninguém consegue concertar). Temos que ter persistência para construir este caminho e construções costumam ser demoradas. É aí que os jovens tendem a desistir: para eles um ano é uma eternidade. Mas nós sabemos que um ano, na perspectiva de uma vida, é pouco.
Além disso, ao brigar conosco, os filhos radicalizam uma posição e esperam que nós radicalizemos de outro lado. Desta forma, eles só ficam com o lado bom, e cabe a nós a parte “estragada”. Por isso radicalizar não funciona, os adolescentes ficam com uma única visão fracionada da realidade, o que dificulta a percepção do todo.
Pode ser que o caminho não valha o esforço, e aí desistimos. Mas vamos desistir de nossos filhos só porque eles não acreditam nas suas capacidades? Vamos desistir porque eles tiveram um “chilique”?
Nesta semana, véspera do Enem, muitos pais estão sofrendo junto com seus filhos. A vida não acaba depois do exame. Nem se passar, nem se não passar. Nós, pais e educadores devemos fazer com nossas crianças, adolescentes e jovens adultos, como os índios com a dança da chuva. Sabe por que a dança da chuva funciona? Porque os índios dançam até chover.
Boa semana do Enen. Boa dança.
[1] Yves de La Taille –Limites: três dimensões educacionais – Ed Summus
[...] Texto: A dura vida das mães [...]
22 de outubro de 2011 às 7:15