jan 13

 Cada pessoa é um mundo, mas podemos analisar cada mundo, e quem sabe classificá-los em grandes grupos, na maneira como lidamos com nossos sentimentos.

Na praia, por exemplo, os pais querem que seus filhos gostem do mar, tanto quanto eles gostam. Por isso usam de vários estratagemas, indo devagar, aproximando seus filhos do prazer de estar na água, brincando junto.

Mas o que aconteceria se o filho emperrasse na beirada da água e não quisesse entrar de jeito nenhum? Leia a postagem completa »

out 19

 Como é dura a vida das mães!  Apesar de todo  trabalho e esforço que fazemos para ajudar os filhos com a infra-estrutura do presente, e nos seus planos de futuro; das tentativas de ajudar com nossa experiência, a encurtar caminhos e mostrar onde há  becos  sem saída, ainda temos que aguentar a onipotência dos adolescentes, que acham que sabem tudo, e que nós adultos só não mudamos o mundo porque “ não tínhamos realmente vontade”.

E quantas vezes não ficamos ouvindo uma história que nunca mais termina, tantas vezes repetida;  azar o seu se tentou dar uma opinião! Você não entende mesmo! Se criticou, foi muito dura; se não falou nada,  não estava levando a conversa a sério.

Afinal, o que eles querem e porque brigam tanto com a gente?

Os filhos estão aprendendo seus limites, tem muito medo de se depararem com eles e não saberem o que fazer. Perceber que não somos capazes de fazer algo que queremos muito, é mesmo frustrante, mas não é o fim da linha. Na verdade é o começo, porque ao falhar nos deparamos com o que falta, e esta lacuna nos impulsionará para conseguir o que desejamos. Mas aos olhos dos mais jovens um deslize pode ser uma sentença de incapacidade eterna.

Por isso é mais fácil brigar com os pais, e por a culpa destes limites neles. Assim o adolescente continua com a sua onipotência,  e a responsabilidade por não ter dado certo, adivinha, é dos pais.

É aí que muitos pais se cansam e acham que os filhos podem fazer o que quiserem, afinal são grandes.

Mas o que fazer se o filho acha que não deve estudar, ou se acha que não vai conseguir aprender? Largar mão? Insistir?

Na verdade a questão é outra, a desistência tem a ver com a visão que cada pessoa tem de suas capacidades, e de como vai ultrapassar suas limitações. Aliás, Yves de La Taille[1] diz que limites existem para serem ultrapassados. Tem pessoas que acham que não são capazes de  aprender determinada matéria, como matemática por exemplo, e mesmo antes da explicação já estão cheias de dúvidas. Estas pessoas não têm dificuldade de aprender, tem problema de auto-estima!

Para crescer, nós temos que acreditar em nosso potencial, conhecer nossos pontos fracos e nossos pontos fortes, e descobrir o que temos que fazer para alcançar o que almejamos. Temos que perder o medo de errar e de ver onde erramos ( senão ninguém consegue concertar). Temos que ter persistência para construir este caminho e construções costumam ser demoradas. É aí que os jovens tendem a desistir: para eles um ano é uma eternidade. Mas nós sabemos que um ano, na perspectiva de uma vida, é pouco.

Além disso, ao brigar conosco, os filhos radicalizam uma posição e esperam que nós radicalizemos de outro lado. Desta forma, eles só ficam com o lado bom, e cabe a nós a parte “estragada”. Por isso radicalizar não funciona, os adolescentes ficam com uma única visão fracionada da realidade, o que dificulta a percepção do todo.

Pode ser que o caminho não valha o esforço, e aí desistimos. Mas vamos desistir de nossos filhos só porque eles não acreditam nas suas capacidades? Vamos desistir porque eles tiveram um “chilique”?

Nesta semana, véspera do Enem, muitos pais estão sofrendo junto com seus filhos. A vida não acaba depois do exame. Nem se passar, nem se não passar. Nós, pais e educadores devemos  fazer com nossas crianças, adolescentes e jovens adultos,  como os índios com a dança da chuva. Sabe por que a dança da chuva funciona? Porque os índios dançam até chover.

Boa semana do Enen. Boa dança.


[1] Yves de La Taille –Limites: três dimensões educacionais – Ed Summus

jun 21

 Tenho percebido que os pais estão cada vez mais perdidos em relação aos adolescentes. Primeiro porque a vida mudou muito nestes últimos anos: internet,celular, tweeter,  bate-papo on line, baladas até o sol raiar… Junto a tantas mudanças os novos códigos de conduta: não pode agredir, não pode dar apelidos, não pode  brigar na porta da escola, não pode transar se for menor de idade, não pode, não pode.

Todas estas regras inibem a agressividade dos adolescentes, logo deles, tão cheios de hormônios e desejos impossíveis! Leia a postagem completa »

mar 16

Desde que se tem  notícias pais e filhos competem entre si. Competem porque os pais sentem que seu tempo “acabou” e “tem que” dar lugar aos mais novos; porque adjetivos  como  juventude, vitalidade  agora não tem mais vez; e os filhos competem para terem direito à “liberdade” – é verdade que não querem as responsabilidades que vem junto… Leia a postagem completa »

fev 16

 Tenho recebido cartas de mulheres separadas que lutam contra os filhos em geral do sexo masculino, muitos menores de idade e que querem controlar  a vida das mães. Estas mulheres ficam desesperadas porque não sabem como devem lidar com a situação: não querem traumatizar os filhos, nem se indispor com eles, mas também não querem que mandem em sua vida! O que fazer? Leia a postagem completa »

jan 6

                Alguns pais ficam com tanto receio de errar, protegem tanto seus filhos que os impedem de se desenvolver: des- envolver, ou sair do envolvimento familiar para que ele possa alçar vôo e ter sua própria vida. Leia a postagem completa »

ago 26

Tenho acompanhado entrevistas e depoimentos sobre a lei da palmada, aquela que “impediria os pais de darem tapinhas nos filhos”. Em muitos casos creio que as pessoas não conheciam  o texto da lei.

Muitos adultos ficaram revoltados achando que o Conselho Tutelar iria entrar em suas casas para ver se eles deram um tapa na mão da criança. Claro que não vai haver este tipo de policiamento, nem esta é a finalidade da norma.

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jun 23

Tem alguns comportamentos que “herdamos” de nossos pais, de repente nos pegamos fazendo a mesma coisa que nossas mães faziam, ou falando coisas que nos remetem à infância. Quantas vezes você não disse frases inteiras que finalmente fazem sentido (“esqueceu que você tem casa?”; “meu consolo é que um dia você vai ter filhos.”; “quer me matar de desgosto!” “ Faço porque eu te amo”…). Quantas vezes nós não nos pegamos agindo igualzinho aos nossos avós ou pais?

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abr 6

Nós do Florescer acreditávamos que anos de maus tratos tinham contribuído para que André perdesse o fio de meada, criando uma defasagem com o resto da classe. Queríamos que ele tivesse atenção individualizada, mas não sabíamos a quem recorrer. Conforme não se adequava na escola, fazia gracinhas para chamar a atenção, o que piorava em muito a disposição dos professores em relação a ele. Chegou a se recusar a copiar a lição da lousa, porque, a nosso ver, não queria reconhecer que tinha uma grande defasagem em relação à sua classe.

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mar 26

Há cinco anos recebi no Florescer da Fábrica um menino pequeno, cerca de sete ou oito anos chamado André. Ele vinha com seus pais Pedro e Marilena.  A mãe veio nos procurar porque a situação dentro de casa estava terrível! Ela chorava muito, e no final da segunda sessão me deu um envelope com uma carta que contava o drama familiar: o pai batia muito nas crianças, em especial neste menino. Bater significava: bater até o menino cair e sair chutando o coitado pelo caminho. Ela contava que era apaixonada pelo marido e por isso mesmo não sabia o que fazer para contornar esta situação.

Claro que o André  batia muito nas crianças, dentro e  fora de casa, e por causa da sua agressividade tinha sido expulso  de todas as escola em que estivera. Em outras palvras ele repetia o que via. Isso mesmo, se em casa o pai podia bater nos filhos, ele entendia que bater era um comportamento  aceitável. Neste caso poderia usar do mesmo expediente na escola.

Depois de ouvir, começamos a explicar os limites da lei: bater não pode. Não tem desculpa, não pode e pronto. Não sou eu quem diz, é a lei. Na semana seguinte André veio cabisbaixo: o pai não batera, mas desta vez dera alguns choques como castigo. Na mesma hora mandamos chamar o pai, e avisamos: dar choque também não pode!

Talvez vocês estranhem a nossa frieza em chamar o pai e  não bronquear, ou castigar, mas essa é a essência do tratamento: em geral quem bate é uma pessoa impulsiva, portanto nós temos que saber controlar nossos impulsos. Quando nós chamamos e conversamos, re-colocamos limites, discutimos outras maneira de conseguir que o filho obedeça sem violência, estamos mostrando na prática uma nova forma de se relacionar. O exemplo, já percebemos, vale mais do que mil palavras.

Muitas vezes, no afã de  se fazer justiça, filhos e pais são separados sem sequer terem uma chance de refazerem  este relacionamento. Mas será que isso é bom para a criança? Será que os pais não conseguem mudar?

André foi para psicoterapia (em dupla), e os pais ficaram em tratamento no grupo de pais. Através de histórias que outros pais traziam e de interpretações fomos construindo outras  maneiras de impor limites, e mostrando as consequências que a agressão traz para as famílias. Paralelamente fomos tentando compreender porque estes pais agiam desta forma com seus filhos. Quase sempre os pais agressores vieram de família que agrediam,  física ou psicologicamente. Por exemplo, o pai que só chama o filho de idiota, ou que o desmerece   constantemente é um agressor;  os pais que ameaçam bater e quebrar os ossos dos filhos,  mesmo que não o façam,  são agressores.

Ouvimos suas histórias de vida, nos emocionamos com o que ambos disseram, até que um dia Pedro, o pai de André percebeu que ele agia com o filho da mesma forma que sua mãe agira com ele, comportamento que causara marcas profundas em sua vida. Depois de um choro silencioso e doído, Pedro percebeu que aquela não era a melhor maneira de cuidar do seu filho, e começou a cuidar dele verdadeiramente.

Por esta época o relacionamento entre os pais começou a se deteriorar: a mãe tinha muito ciúmes do pai  que, diga-se de passagem, era o André em versão ampliada. Ela tinha certeza de que ele a traia, que ele não ligava para ela, que ele… Também implicava com o menino porque a escola continuava a chamá-la: ele não acompanhava a classe. Parecia que ela dividira os dois pai e filho, e tudo de bom pertencia ao Pedro e tudo de ruim era responsabilidade do André.

Para André, ter uma mãe que só via seus defeitos não ajudava. Perceber que a mãe tratava melhor os irmãos, com mais respeito e mais carinho, também não era fácil. Por isso tentava chamar atenção da maneira como conseguia, através das ações censuráveis.

Nós do Florescer acreditávamos que anos de maus tratos tinham contribuído para que André perdesse o fio de meada, criando uma defasagem com o resto da classe. Queríamos que ele tivesse  atenção individualizada, mas não sabíamos a quem recorrer. Conforme não se adequava na escola, fazia gracinhas para chamar a atenção, assim como9 fazia em casa, o que piorava em muito a disposição dos professores em relação a ele. Chegou a se recusar a copiar a lição da lousa. A nosso ver, não queria reconhecer que tinha uma grande defasagem em relação à sua classe, e copiar a lição e fazer os exercícios deixaria a mostra sua defasagem se aprendizado.

O que fazer nestes casos?

…continua na próxima semana.

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