VIOLÊNCIA NA ESCOLA? OUTRA?

  A história do menino que matou a professora e se matou deixou o país indignado. Recebi muitos telefonemas querendo saber o que aconteceu com ele.

 Não tenho a resposta, mas posso pensar sobre o caso. Sabemos que ele era um aluno alegre, de bom relacionamento.

Pensei que poderia  ser fruto de uma educação excessivamente exigente, com pais rígidos. Mas pelo que li, não era isso:  o pai era afetivo  e preocupado ( não encontrando a arma foi até o colégio perguntar diretamente para os filhos se eles haviam pegado a mesma;  acreditou na palavra deles,  optando por não revistá-los, e os abraçou antes de ir embora, o que denota cuidado e respeito pela palavra dos filhos, e afeto explícito).

Será que estes pais erraram? Não parece.

As crianças falam que ele ameaçou matar a professora, mas devemos nos lembrar que na nossa língua exagerada, nós dizemos que vamos matar sem esta intenção (Menino se você me desobedecer eu te mato!, Estou morrendo de medo! Quero matar tal pessoa! Estou morto de cansaço!) Nossa cultura fala de coisas que não temos intenção de fazer, mas é assim que  nós nos relacionamos: “Menino se eu te pego! Ah se eu te pego!” Cada um pense o que quiser…

Há dois desenhos, desta criança (veja na UOL):  No primeiro desenho um menino (ele mesmo escreve: eu com 16 anos)  em pé entre carteiras vazias, e um professor em frente da lousa , o professor com um braço estendido. Não há sinais de conflitos entre as duas figuras. O menino de cabelo espetado ( como é moda entre os jovens), braços para trás (alguém disse de arma em punho? Não.)  Nada que me chamaria a atenção.

No verso, supostamente o menino armado. Seria adequado se imaginar armado numa casa onde o pai era segurança privado e policial, ou seja, o desenho só mostra que o menino se identificava com a figura paterna, algo esperado e adequado. Neste desenho percebemos sinais de que foi apagado algumas vezes, mas os braços continuam para traz e no peito como que um cinturão; A figura desenhada está quase na posição de sentido, e interessantemente ao lado de uma porta fechada, quase como se só  pudesse entrar na idade certa. Ao lado da porta um traço onde lê-se: FORA. Além do X no peito, não vi sinais de arma.

Mas alguma coisa me causou estranheza nos desenhos… não eram desenhos de criança deprimida, nem de alguém à beira do suicídio!  Eram desenhos que traduziam timidez, e  esperança no futuro (ambos mostravam o menino aos 16   anos)

Não havia traços depressivos, não há sinais de algo mais intenso. Talvez um não estar à vontade com o próprio corpo, coisa tão comum na adolescência! Mas nada  além da conta.

Aparentemente sem motivos , essa violência nos escapa, a  não ser por dois  detalhe: a questão da menoridade e a auto exigência.

Quando falo que sou contra a alteração da maioridade penal, considero que crianças em formação não têm noção da complexidade de seus atos, e neste caso isso é visível: o menino não tinha porque atirar na professora, e provavelmente ao ver o que fez, não agüentou as implicações e acabou tirando sua vida.

Outra questão, mais  sutil diz respeito a  exigência que este menino tinha para com ele mesmo. Nós pais achamos que é preciso exigir dos filhos e ensinar causa e conseqüência, o que é verdade; mas algumas crianças são mais exigentes consigo mesmas do que seria  saudável, e nestes casos a cobrança dos pais só  piora a situação.

Como ele era menor de idade,  sem noção exata de causa e conseqüência,  quando viu no que aquilo se transformou, não agüentou, e se matou.

Por isso a importância de não deixarmos armas perto de crianças pequenas. Especialmente armas carregadas. Uma arma em casa é sempre um perigo para as crianças e adolescentes que podem ao manuseá-las por curiosidade,  atirar sem querer. Ou que podem usá-las inadvertidamente, isso sem falar na possibilidade de serem roubadas e usadas para fins não tão nobres. Agora, na hora em que somos vítimas de violência e quando as pessoas que amamos estão em perigo, quem disse que nós vamos procurar uma arma! E quem disse que um revólver, nestas circustâncias é a melhor alternativa???

Nas inúmeras tragédias nas escolas americanas, as análises apontam que os protagonistas das ações tinham em comum o acesso fácil a armas de fogo.

Se esse menino continuasse vivo, será que as pessoas seriam  condescendentes com ele? Lembrariam que era um bom aluno? Ou achariam que era mais um caso de menor delinquente?

Aqui no Brasil não punimos os políticos que roubam nosso dinheiro, aquele que deveria ir para melhorar o salário dos professores, para melhorar o salário dos médicos e desta maneira termos profissionais mais qualificados e descansados para a função (eles são obrigados a acumular empregos para ter uma sobrevivência decente), que desviam o dinheiro que vai para a merenda das nossas crianças, que desviam de obras tão importantes para que nós pudéssemos chegar mais cedo em casa, ou que garantiriam nossa segurança e bem estar.

Por outro lado, somos implacáveis com os mais fracos. (Opa! Os mais fracos somos nós!)

Boa semana

Quero convidar a todos os interessados a participarem do 3º Congresso Internacional da ABRAMD Associação Brasileira Muldiciplinar de Estudos sobre Drogas, – que será realizado nos dias 30 de outubro a 2 de novembro, em Bento Gonçalves/RS.
Sempre que falamos em violência, a questão das drogas vem à baila, portanto é importante conhecer sua verdadeira extensão, e como prevenir e intervir de maneira eficiente. 
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